PEQUENO TRAFICANTE NÃO VAI MAIS PARA PRISÃO
Uma resolução do Senado publicada
nesta semana abriu brecha para que pequenos traficantes possam cumprir
penas alternativas, em vez de ficar na prisão. O ato suspendeu um trecho
da legislação de entorpecentes que proibia a conversão do cumprimento
de pena na cadeia nos casos de tráfico de drogas em punições mais leves,
como a prestação de serviços comunitários. A decisão foi tomada a
pedido do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu que essa proibição
da troca de penas era inconstitucional. Aprovada em 2006 pelo Congresso
e envolta em polêmicas discussões, a lei de entorpecentes ficou famosa
por endurecer as punições a traficantes – a pena mínima para o tráfico
subiu de 3 para 5 anos, por exemplo – enquanto abrandava as penas
voltadas aos usuários de drogas. “Isso é um desserviço ao combate ao
tráfico. Estamos vivendo uma situação muito difícil, porque as penas
restritivas de direitos são extremamente benevolentes”, afirma o
desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo José Damião Cogan.
Defendo plenamente a conversão da pena em casos específicos. Quando são
pequenas quantidades de drogas e não se trata de um traficante
conhecido ou que tenha tido condenações reiteradas, a pena alternativa
de prestar serviços à comunidade acaba sendo mais útil tanto ao próprio
condenado quanto à sociedade”, rebate o advogado criminalista Antônio
Cláudio Mariz de Oliveira. ( Folha Online)