Imagine
Messi no Bahia. Se a notícia de que o argentino trocou o Barça pelo
Tricolor fosse anunciada no principal programa esportivo do Estado,
certamente a reação dos torcedores seria de incredulidade. Quais razões
fariam o melhor jogador do mundo deixar a melhor equipe do mundo para
desembarcar em solo soteropolitano e se arriscar nas pelejas pelo
Baianão, Copa do Brasil e Brasileirão? Pois é. O iBahia Esportes foi
atrás e descobriu que, nos anos 70, isso aconteceu com o atleta do
século XX. Pelé, ídolo do Santos e da Seleção Brasileira, foi
"contratado" pelo Esquadrão de Aço e a galera botou fé. Essa é a
história de uma mentira que aconteceu de verdade.
Tudo se passou na "Resenha do Meio-Dia", programa de sucesso comandado por França Teixeira, atualmente conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), na Rádio Cultura da Bahia entre os anos 60 e 70. O ex-radialista lembra bem do fato curioso, mas não vê nada demais. "Rapaz, muita gente me pergunta isso. Foi uma coisa que pintou do nada. Isso era xoxo, tinha coisa melhor", afirmou em bate-papo com o iBahia Esportes, sem se recusar a contar o 'causo', vez ou outra lembrado nos bastidores da crônica esportiva pelos que estão há muito tempo trabalhando com a cobertura do futebol pela Bahia.
Tudo se passou na "Resenha do Meio-Dia", programa de sucesso comandado por França Teixeira, atualmente conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), na Rádio Cultura da Bahia entre os anos 60 e 70. O ex-radialista lembra bem do fato curioso, mas não vê nada demais. "Rapaz, muita gente me pergunta isso. Foi uma coisa que pintou do nada. Isso era xoxo, tinha coisa melhor", afirmou em bate-papo com o iBahia Esportes, sem se recusar a contar o 'causo', vez ou outra lembrado nos bastidores da crônica esportiva pelos que estão há muito tempo trabalhando com a cobertura do futebol pela Bahia.
"Foi
por telefone. Dizia que o Bahia ia contratar Pelé e tínhamos combinado
com o negão, e o negão disse que tava já mantendo as negociações com o
amigo dele Osório (Vilas Boas, ex-presidente do Bahia). A gente armou
tudo com ele. Ele era ótimo. Era não, ele é ótimo", recorda Teixeira,
aos risos, equivocando-se apenas no nome do presidente da época. O
empresário carioca já falecido Alfredo Saad, amigo de Pelé, é que era o
mandatário do Tricolor quando a brincadeira foi feita. Ele presidiu o
clube de 1970 até o início de 1971, logo após a saída de Osório Vilas
Boas. França Teixeira ainda fez mais para aumentar a "veracidade" da
história. Colocou até Athiê Jorge Coury, presidente do Santos entre 1945
e 1971, para falar ao vivo.
Ilustração feita por Francisco Soza (sozacaricaturas.blogspot.com) em 2001, pintada com tinta acrílica sobre cartão
Segundo França Teixeira, a proximidade que ele tinha com Pelé também ajudou na hora de armar a história. "A gente ia para Ilhéus. Ele gostava muito de Ilhéus. Um detalhe que muita gente não pergunta. Ele gosta muito de Ilhéus. Ele achava assim um lugar agradável", revela o conselheiro do TCE, que explica os detalhes da história da "contratação" do Rei pelo Bahia.
"Surgiu
a ideia. Eu digo: 'Pelé, eu vou ligar para você em Santos ou em
qualquer lugar, vou te localizar. Todo mundo tá dizendo, querendo que
você arme um negócio que veio pro Bahia'. Aí ele: 'como é que eu vou pro
Bahia, rapaz?'. 'Diga isso, rapaz', eu falei. Armamos aqui a resenha no
dia, ele já tava no telefone, já avisado. 'Realmente, eu estou em
adiantada conversações com o meu amigo Osório (na verdade, Saad)'. E aí
falou com um convencimento arretado e o povo acabou acreditando que ele
vinha mesmo para o Bahia", conta o ex-radialista, vermelho de rir.
Como a "Resenha do Meio-Dia" tinha um grande público, a "notícia" logo se espalhou e os torcedores do Bahia empolgavam-se com a possibilidade de contar com o melhor atleta de todos os tempos no clube. Mas e aí, como voltar atrás e dizer que tudo não passou de uma brincadeira, França? "Pra desfazer depois tivemos que dizer que era primeiro de abril sem ser primeiro de abril", diz. Já pensou Pelé no Bahia?
Nota pé - Difícil apontar com exatidão quando aconteceu toda "brincadeira" de França Teixeira e Pelé. As fontes que colaboraram com a matéria mantêm viva na lembrança os acontecimentos, mas encontram dificuldade na hora de dizer a data. O experiente José Ataíde contou o causo do rádio baiano para Paulo César Gomes, apresentador do CBN Salvador Esportes (rádio CBN Salvador 100,7 FM), programa do qual o repórter que vos escreve participa de segunda a sábado ao lado do editor de esporte do portal Rafael Sena.
"O ano foi o ano que o Santos jogou em Ilhéus. Aliás, o Santos jogava muito em Ilhéus", contou França Teixeira. Assim como ele, Ataíde e Pelé não recordaram o momento exato da história. Quem chegou mais perto foi Jorge Catugy, que atualmente trabalha nas rádios Tudo FM e Crystal. Procurado por nosso amigo Paulo César Gomes, ele recordou que a história aconteceu em 1971.
Como a "Resenha do Meio-Dia" tinha um grande público, a "notícia" logo se espalhou e os torcedores do Bahia empolgavam-se com a possibilidade de contar com o melhor atleta de todos os tempos no clube. Mas e aí, como voltar atrás e dizer que tudo não passou de uma brincadeira, França? "Pra desfazer depois tivemos que dizer que era primeiro de abril sem ser primeiro de abril", diz. Já pensou Pelé no Bahia?
Nota pé - Difícil apontar com exatidão quando aconteceu toda "brincadeira" de França Teixeira e Pelé. As fontes que colaboraram com a matéria mantêm viva na lembrança os acontecimentos, mas encontram dificuldade na hora de dizer a data. O experiente José Ataíde contou o causo do rádio baiano para Paulo César Gomes, apresentador do CBN Salvador Esportes (rádio CBN Salvador 100,7 FM), programa do qual o repórter que vos escreve participa de segunda a sábado ao lado do editor de esporte do portal Rafael Sena.
"O ano foi o ano que o Santos jogou em Ilhéus. Aliás, o Santos jogava muito em Ilhéus", contou França Teixeira. Assim como ele, Ataíde e Pelé não recordaram o momento exato da história. Quem chegou mais perto foi Jorge Catugy, que atualmente trabalha nas rádios Tudo FM e Crystal. Procurado por nosso amigo Paulo César Gomes, ele recordou que a história aconteceu em 1971.
