A tireoide é uma glândula
localizada na região do pescoço, responsável por produzir os hormônios tiroxina
(também chamado de tetraiodotironina) e tri-iodotironina. Ambos auxiliam na
manutenção da pressão sanguínea, do ritmo cardíaco, do tônus muscular e das
funções sexuais, explica a médica Claudia Chang, Coordenadora e Professora de
Pós-Graduação em Endocrinologia.
No entanto, em algum exame de
rotina, segundo ela, é possível identificar pequenos caroços nesta região, os
chamados nódulos tireoidianos, formações nodulares na tireoide, que precisam
ser avaliadas e acompanhadas por especialistas (endocrinologistas). Atualmente,
são muito comuns e estima-se que cerca de 7% das pessoas tem algum nódulo
palpável na tireoide. Quando se avalia o percentual que pode ser visualizado
pelo USG (ultrassom), este número chega de 20-76%.
"As pessoas mais
predispostas a terem nódulos tireoidianos são os idosos, as mulheres e
pacientes que tenham hipotiroidismo por tiroidite de Hashimoto. Regiões com
carência de iodo e história de exposição prévia à radiação também aumentariam a
formação de nódulos."
Embora ainda não se conheça todos
os mecanismos que levam à formação dos nódulos, as principais causas, de acordo
com Claudia Chang, seriam bócio colóide (células normais da tireoide), cistos
simples, tireoidites (inflamação na glândula levando à formação de nódulos) e
neoplasias. "Algumas características necessitam de uma cautela maior:
nódulo com crescimento muito rápido, história de irradiação (radioterapia)
prévia na região cervical (pescoço) e rouquidão súbita."
Ela chama a tenção para o fato de
que o nódulo é uma alteração de “estrutura”, e não influencia na função da
tireoide. "Algumas pessoas fazem certa confusão com isto, questionando
como podem ter nódulo se o exame de sangue nunca acusou nada." Embora
indivíduos com hipotiroidismo tenham maior chance de ter nódulo, a maioria das
pessoas com nódulos tem função da tireoide normal, explica.
A médica esclarece que não há
indicação de medicamento para nódulo tireoidiano, a não ser que o paciente
também apresente hipotiroidismo (tireoide lenta). Nestes casos, há diminuição
do nódulo com o tratamento e normalização do TSH (hormônio que estimula a
tireoide). Mas não há evidência científica para prescrição de medicação para
indivíduos que não tenham alteração da função da glândula.
A grande maioria dos nódulos não
precisa ser puncionada, mas requer acompanhamento semestral ou anual com
imagem. Atualmente, seguimos algumas diretrizes internacionais e nacionais
(SBEM-Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) para se indicar ou
não a punção. "Embora a menor parte dos nódulos (5-10%) seja por neoplasia
(câncer de tireoide), a avaliação e o seguimento especializado são
fundamentais", alerta.
