Tudo que é novo assusta. E, quando o assunto é
maternidade, o medo de errar toma proporções ainda maiores, pois envolve a vida
de um ser indefeso, o maior motivo de amor dos pais. A grande preocupação
é a de que todas as leituras, conversas com o médico e a família não sejam
suficientes e que, nos momentos a sós com o bebê, cometa-se algum erro que
prejudique a criança. O mais importante, no entanto, é lembrar de que a
maternidade é uma experiência de aprendizado constante. “Ter filho exige calma
para entender cada momento do bebê. Exige ainda que sejamos tranquilos para não
criar situações de estresse desnecessárias, sofrimentos que, às vezes, não
precisariam existir", pondera Marcelo Pavese Porto, vice-presidente da
Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul. De acordo com Porto, não se deve
ter medo do recém-nascido. "Ele não fala, mas se comunica muito bem, desde
que a gente aprenda a entender essa comunicação. O bebê precisa de apoio, pois
é quase indefeso, mas não desmonta com um assopro. Em suma, o que o filho mais
precisa é de amor, de carinho e uma boa dose de bom senso dos pais”, diz o
especialista.
Conversamos
com mulheres e especialistas que listaram os erros que mais assolam as mães
inexperientes. Será que você se identifica com algum deles?
1
Duvidar
da própria intuição e do instinto materno
“A mãe, por natureza, é
superprotetora e envolvida com os cuidados do bebê. Seus sentidos ficam mais
apurados; seu sono, mais leve, e seu corpo, mais resistente ao cansaço e as
dores. Por isso, mesmo sendo uma mãe de primeira viagem, ela saberá lidar com
as mais diversas situações para cuidar do bebê. Muitas vezes a criança não consegue
expressar suas necessidades e a intuição materna é vital para sua
sobrevivência. Confie nos seus instintos. Seu filho também estará confiando”,
frisa Antonio Paulo Stockler, ginecologista e obstetra do Hospital
Universitário Antônio Pedro e especialista pela Federação Brasileira de
Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
2
Excluir o
pai da rotina do bebê
“O papel do pai é fundamental
desde o início da gravidez. O bebê já aprende a identificar a voz dele ainda na
barriga da mãe. É lógico que o papel da mãe no início é mais preponderante, mas
o pai precisa estar envolvido, participar de todas as tarefas, trocar fraldas,
consolar, fazer carinho, amar. Um filho é uma construção familiar - e não parte
somente de um”, aconselha Marcelo Pavese Porto.
3
Não se
cuidar e colocar o bebê como única prioridade
“A maternidade é uma experiência
avassaladora que, muitas vezes, domina completamente o cotidiano feminino com
todas as atribuições e necessidades vitais e afetivas do bebê. Um ponto
fundamental é que o bebê precisa de uma mãe saudável, bem disposta e atenta
para que possa se desenvolver plenamente. Por isso, descuidar de si mesma é
descuidar da saúde da criança. É importante a mamãe realizar exercícios físicos
que ajudarão no retorno ao peso de antes da gravidez, vão estimular a liberação
de endorfinas (diminuindo a sensação de cansaço e elevando a autoestima) e
facilitarão a produção de leite. A nova mamãe deve também manter alimentação
balanceada, de forma que possa suprir todas as necessidades de seu filho
através do aleitamento”, alerta Antonio Paulo Stockler.
4
Isolar-se
em casa nos primeiros meses do bebê
“Quando minha primeira filha
nasceu, tive muito medo de sair com ela, mesmo após a liberação do médico. Me
isolei em casa durante seis meses e saía raramente, apenas para almoçar na casa
de um parente ou levá-la ao médico. Minha filha estava sempre com a imunidade
muito baixa e eu não entendia o porquê. Para piorar, comecei a me sentir
entediada e solitária e quase entrei em depressão. No meu segundo filho,
percebi que era loucura me trancar em casa e, dois meses após o parto, eu já o
levava para passeios curtos. Ele se desenvolveu com muito mais saúde e quase
não adoecia, pois teve a oportunidade de desenvolver anticorpos”, conta a mamãe
Mariane Osório, 39 anos.
5
Querer
impor disciplina em excesso nos horários do bebê
“Não há como impor horários para
o recém-nascido ou nos primeiros meses de vida. O bebê segue seu próprio ritmo:
mama conforme necessita, acorda e dorme quando precisa e não tem, sequer do
ponto de vista hormonal e de desenvolvimento neuropsicomotor, a capacidade de
aprender e seguir horários. Por outro lado, isso não significa que deve ser
atendido no primeiro choro, pois ele também precisa criar a capacidade de se
reorganizar e retomar o sono sozinho. Claro que vale o bom senso. Se ele está
chorando bastante, é porque precisa de algo e deve ser atendido”, observa
Marcelo.
6
Alimentar-se
mal durante a amamentação
“Para produzir uma quantidade de
leite suficiente para o bebê, a mãe deve comer um pouco a mais (cerca de 300
calorias) do que o habitual e ingerir água suficiente para saciar sua sede. É
fundamental que tome líquidos, alimente-se de forma saudável e descanse sempre
que possível”, aconselha Cláudia Hallal, pediatra nutróloga, membro da
Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul.
7
Pensar
que o leite materno não é rico o suficiente
“Até os seis meses o leite
materno deve ser oferecido todas as vezes que a criança quiser, quando tiver
fome ou sede. Não existe ‘leite fraco’; todo leite materno é forte e bom. Logo
após o nascimento, a produção do leite pode parecer pequena, mas é suficiente
para as necessidades do bebê. À medida que a criança começa a mamar mais, a
produção do leite também aumenta proporcionalmente, satisfazendo-o”, explica
Cláudia.
8
Não
coordenar os horários de sono com os do bebê
“Quando meu filho nasceu, me
atrapalhei muito com a organização dos horários de sono. Enquanto ele dormia,
eu limpava a casa, trabalhava ou assistia TV. O problema é que logo após as
primeiras semanas eu já estava exausta. Resolvi ouvir os conselhos da minha mãe
e dormir quando ele dormia. Foi a única forma de me adaptar ao ritmo dele e
conseguir descansar”, revela Luana Costa, 35 anos.
9
Achar que
todo choro é fome
“O bebê chora como uma forma de
se comunicar, o que não necessariamente se relaciona à fome. Bebê sente calor;
às vezes, sede ou desconforto por estar com as fraldas sujas. O choro por
cólica é um tipo mais característico, intenso, repetitivo, com duração mais
longa, difícil de consolar e, em geral, em horários específicos. Outra situação
é simplesmente querer atenção, carinho ou colo. O importante é a família manter
a calma e tentar com tranquilidade identificar o motivo do choro, sem se
apavorar. Com o passar do tempo e sem atropelos, os pais saberão entender e
tranquilizar seu filho”, garante Marcelo.
10
Desistir
rápido da papinha ou outro alimento
“Com seis meses começamos a
oferecer papinhas, mas minha filha rejeitava todas as opções. No começo bateu
um desespero e eu quis desistir, mantendo só a amamentação por mais algumas
semanas. Após conversar com o médico e ele me conscientizar da importância de
introduzir a alimentação sólida, resolvi insistir e ela se adaptou. Foi quando
entendi que precisava me esforçar para estimular o desenvolvimento dela”, conta
Midiã Rocha, 29 anos.
11
Fazer
comparações com outros bebês da família
“Esse é um erro comum, pois as
mães de primeira viagem, por não terem tanta experiência com os cuidados com
bebê, acabam comparando-o com outros. Isso pode até gerar angústia na mãe e
desgaste na relação com os membros da família. O que as mães precisam saber é
que cada bebê tem um desenvolvimento e personalidade que lhe é peculiar”,
afirma Cynthia Boscovich, psicóloga e psicanalista.
12
Não ouvir
os conselhos de outras mães
“Desde a descoberta da gravidez,
passei a pesquisar muito e a ler tudo sobre gestação e os primeiros anos do
bebê. Mas, na prática, muita coisa não se aprende nos livros e eu me sentia
perdida. No começo, eu rejeitava os conselhos da minha mãe e das outras
mulheres da família, mas percebi que a experiência delas era valiosa, pois no
dia a dia, me ajudou a solucionar as dúvidas e cuidar melhor do meu bebê”,
reconhece Elaine Bortello, 38 anos.
13
Manter o
bebê todo agasalhado mesmo no calor
“Devemos lembrar que, embora
sinta um pouco mais de frio que uma criança maior, o bebê sente calor e não
pode ser vestido com exagero. As mãos mais frias são uma característica própria
do bebê novinho e não significam que esteja com frio. Podemos verificar no
peito do bebê se ele está quentinho ou não. A mãe deve observar se ele está
suado, que é um sinal evidente que está vestido em excesso. A criança deve
poder se mexer. Um bebê vestido ou coberto em excesso pode ficar muito irritado
ou até ter complicações mais graves, como febre e desidratação”, explica
Marcelo.
14
Enfeitar
demais o berço e esquecer da segurança
“Como toda mãe de primeira
viagem, quis montar um quarto dos sonhos para o meu filho. Gastei uma fortuna
em enfeites, nichos e grandes bichos de pelúcia. Quando o Enzo tinha quatro
meses, um dos nichos que enfeitava a parede do berço se desprendeu e caiu bem
em cima dele. Seu pé foi atingido e o pobrezinho ficou com a perna imobilizada
por algumas semanas. Depois disso, voltei para casa e arranquei tudo do quarto,
deixando somente aquilo que não poderia, de nenhuma maneira, machucar meu
filho”, relata Maria Tereza Holanda, 32 anos.
15
Gastar
com supérfluos e não priorizar o que é útil
“Quando se é mãe de primeira viagem, tudo enche os nossos olhos e dá
aquela vontade de comprar sempre o produto mais caro e mais cheio de detalhes.
Na minha primeira gestação, gastei muito com supérfluos e, logo nas primeiras
semanas após o parto, percebi que muita coisa que comprei não tinha utilidade.
Outros itens, que desprezei durante a preparação do enxoval, fizeram falta e
tiveram que ser comprados às pressas. Na segunda gravidez, priorizei apenas os
itens de necessidade básica e gastei um terço comparado à primeira gestação”,
compartilha Ana Paula Garcia, 43 anos.
