Vereadores
de Camaçari visitaram o Hospital Geral de Camaçari
|
Os 19 vereadores de Camaçari saíram, nesta
manhã (17) para uma “visita surpresa” ao Hospital Geral de Camaçari (HGC),
conforme noticiado anteriormente aqui no Camaçari Fatos e Fotos (CFF). Na
chegada, os legisladores conversaram com o coordenador administrativo de
plantão, Raimundo Nonato de Araújo, para identificar e buscar estratégias que
possam melhorar a situação.
Na discussão foram pontuados, por exemplo, a
questão dos médicos, da reforma, porém o assunto que mais chamou a atenção dos
vereadores foi o repasse da verba municipal ao HGC. De acordo com a prefeitura,
mensalmente são investidos R$ 1,5 milhão de reais, mas a administração do
hospital revelou desconhecer o valor referido. O bispo Jair (PRB) ressaltou que
o “caso” do repasse de verba é um dos principais pontos a ser discutido com o
secretário de saúde municipal e o estadual.
Em seguida, a comitiva saiu para ver de perto as reais condições do hospital, passando
desde o banheiro da unidade, que apesar de “limpo” não tinha se quer o acento
do sanitário, até a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Na sala de tomografia,
a comitiva foi informada que só funciona para casos de extrema necessidade,
pois não tem capacidade para atender em sua totalidade. O coordenador de
plantão salientou ainda que tanto a tomografia quanto o raio X estão em
processo de terceirização do serviço.
Contudo, o vereador Jorge Curvelo (DEM) rebateu e contradisse Araújo afirmando
que há cinco anos a o aparelho de tomografia não funciona no HGC e, por causa
disso, muitas pessoas já formam a óbito (casos estes que também já foi bastante
noticiado pelo CFF). “Nós queríamos ver a realidade do hospital, não para
criticar e sim para buscar soluções. Não interessa se aqui recebe pessoas de
fora da cidade ou não. Quem mais utiliza aqui é o povo de Camaçari, logo é
também quem mais sofre as consequências”, declara Curvelo.
Nos corredores as reclamações já viraram rotina. “Olha o estado desse hospital”.
“Isso aqui é uma vergonha”. “Só limparam por que sabiam que vocês viriam”.
“Estou a mais de 24h esperando uma cirurgia simples, mas que pode levar à morte
que é da apendicite”. Todos os relatos, enunciados à medida que os pacientes
avistavam os vereadores, foram ouvidos pela comitiva que tentava resolver o
caso de imediato, ou prometiam intermediar a situação.
Na Maternidade, mulheres sofrem com a espera para “dar a luz”, pois,
segundo elas, está sem vaga disponível. “Eu vim pra cá ontem à noite, já em
trabalho de parto, mas queriam me dar um remédio para suspender a dor. Como
suspender a dor se meu filho já está querendo sair?”, questiona a operadora de
caixa, Neuma dos Santos Batista que está no nono mês de gestação.
Já na área pediátrica, a doutora Helena Monteiro informou aos legisladores que 90%
do atendimento que é feito no HGC, poderia ser feito nas Unidades de Pronto
Atendimento (UPA) da cidade. Atualmente o HGC conta com duas especialistas no
atendimento infantil e segundo o coordenador o numero seria o suficiente se as
demandas fossem unicamente emergenciais.
A última visita surpresa dos vereadores ao HGC foi feita em
novembro de 2013. Nesta segunda vez, o presidente da comissão de saúde da casa
legislativa, vereador Elias Natan (PV) ratificou que “a Câmara fará um
relatório com as demandas vistoriadas e será encaminhado ao secretário de saúde
do município, Washington Couto e ao governo do estado”.
Fonte CFF
Fonte CFF
