MAIOR PRAZO PARA QUITAR EMPRÉSTIMO EXIGE MAIS PLANEJAMENTO

Tentação: crédito liberado com rapidez e pouca exigência também oferece riscos
O aumento do prazo para pagamento de empréstimos consignados, de 60 para 72 meses, para aposentados e pensionistas preocupa representantes  deste perfil da população. Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados - Seção Bahia, Nilson Bahia,  a oferta de crédito é positiva em alguns casos, mas o aumento do prazo pode favorecer a inadimplência. No início do mês, o INSS ampliou o prazo máximo de financiamento da dívida para seis anos para aposentados e pensionistas. Já os servidores públicos federais ganharam mais três anos para pagar consignados, num prazo total de oito anos. Na Caixa Econômica, 90% das contratações de consignados são feitas para o prazo máximo de até 120 meses para o setor público.  "O pessoal está precisando de educação financeira e não de aumento de prazo, porque isso só vai endividar mais as famílias. Na maioria dos casos, as pessoas são induzidas  a tomar empréstimo, às vezes, sem ter necessidade ou planejamento", sustenta Nilson Bahia.

Terceiros. - O presidente do sindicato dos aposentados teme mais endividamento de idosos e orienta para que os aposentados e pensionistas evitem fazer empréstimos para terceiros, mesmo que parentes. As dívidas em atraso de consumidores com mais de 65 anos foram as que mais cresceram em julho. A faixa de 65 a 84 anos aumentou em 9,05% o número de dívidas  naquele mês em relação a 2013, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Outra pesquisa do SPC aponta que  57% dos consumidores da terceira idade não têm qualquer reserva de dinheiro, 54% devem porque não sabem controlar as  finanças e 32% já tiveram  o nome negativado. Segundo o economista Flávio Calixto, da SCPC Boa Vista, nos últimos trimestres mudou o perfil de idade do inadimplente.  "O destaque no trimestre anterior era o aumento na inadimplência nas faixas etárias mais altas. Acho que tem uma tendência leve de aumento, mas não é nada significativo. Há uma pequena elevação em comparação com dois anos atrás".

O aposentado Luís Antônio Costa já fez seis empréstimos consignados em momentos de dificuldade. Do total, ainda são descontados cerca de R$ 200  da sua aposentadoria por  quatro empréstimos. Todos os seus endividamentos foram feitos em financeiras. "Sempre falam para pegar mais dinheiro e aumentar o prazo. Mas não quero mais. Pesa muito no orçamento, agora quero descansar", diz.


Juros. - Segundo o economista Edísio Freire, o crédito consignado tem seus pontos positivos por ser um dos menores juros do mercado, mas é preciso cuidado e planejamento. Pode ser indicado para quitar dívidas com juros maiores (cheque especial e cartão de crédito) de até 10% ao mês. "É preciso fazer o empréstimo de uma  forma organizada e planejada. Ao tomar um empréstimo para fazer algo que não tem importância, você vai comprometer a sua renda e no futuro  pode não ser muito bom para você". Além disso, este tipo de  endividamento pode ser indicado se não comprometer mais de 30% do orçamento, mesmo se somado com outras dívidas, como financiamento de carro e casa, ou dívidas no cartão de crédito.